Ouvido & Audição
BERA (PEATE): como se mede a audição de quem não pode responder ao exame
Como se mede a audição de um bebê, que ainda não sabe responder? A resposta é um exame objetivo, o BERA (também chamado PEATE), que lê a resposta do nervo auditivo e do tronco encefálico ao som. Entenda como funciona, quando é indicado e por que ele não é a mesma coisa que o teste da orelhinha.
Resumo Os pontos principais antes de ler tudo.
- O BERA (PEATE) é um exame objetivo: mede a resposta do nervo auditivo e do tronco encefálico ao som, com eletrodos, sem depender de a pessoa responder.
- Por isso serve para bebês, crianças pequenas e adultos que não colaboram com a audiometria comum.
- É feito com a pessoa dormindo — em sono natural, de preferência, ou com sedação quando necessário.
- Ele estima o limiar auditivo e ajuda a investigar a via auditiva.
- Não confundir com o "teste da orelhinha": aquele geralmente é a emissão otoacústica, que mede até a cóclea; o BERA vai além, até o nervo e o tronco.
Uma pergunta que os pais fazem com frequência: "Doutor, como é que se mede a audição de um bebê, que ainda nem sabe responder ao exame?" A resposta é um exame objetivo, o BERA — também chamado PEATE. Ele lê a resposta do próprio sistema auditivo ao som, ou seja, não depende de a pessoa apertar um botão ou levantar a mão.
Um exame que não depende da resposta
Bem, a audiometria comum é um exame comportamental: você escuta o som e sinaliza. O BERA é diferente — é um exame eletrofisiológico. Por meio de eletrodos na cabeça, ele registra a resposta elétrica do nervo auditivo e do tronco encefálico quando um som é apresentado. É isso que o torna objetivo, ou seja, o resultado não depende da vontade nem da colaboração de quem faz o exame.
Para quem é indicado
Justamente por não depender da resposta, o BERA é indicado para:
- Bebês e recém-nascidos, sobretudo quando a triagem auditiva do berçário aponta a necessidade de investigar melhor;
- Crianças pequenas, que ainda não colaboram com a audiometria comportamental;
- Adultos em que a audiometria comum ficou inconclusiva ou não pôde ser feita de forma confiável.
Sono natural ou sedação
Para o traçado sair limpo, a pessoa precisa ficar quieta e relaxada — qualquer movimento atrapalha a leitura. Por isso o exame costuma ser feito dormindo. Em bebês e crianças, a preferência é o sono natural, marcando o exame para o horário habitual de sono. Quando não se consegue esse sono natural, o BERA pode ser feito com sedação, em ambiente preparado para isso.
Não confunda com o teste da orelhinha
Aqui um esclarecimento muito importante. O "teste da orelhinha", feito na maternidade, geralmente é a emissão otoacústica — um exame que verifica a resposta da cóclea, ou seja, do ouvido interno. O BERA vai além: ele mede a resposta do nervo auditivo e do tronco encefálico. Se a sua dúvida é sobre a triagem em si — o que significa passar ou falhar, e qual o prazo do reteste —, eu tratei disso em teste da orelhinha: o que ele mostra.
Essa diferença tem consequência prática. Existe uma condição — a neuropatia auditiva — em que a cóclea capta o som, mas a transmissão até o cérebro falha. Nela, a orelhinha pode "passar" e a audição não estar bem. É o BERA que detecta esse tipo de situação. Por isso ele é o exame de confirmação quando a triagem falha ou quando é preciso investigar mais a fundo.
Para que serve
Em resumo, o BERA ajuda a estimar o limiar auditivo — ou seja, o quanto a pessoa ouve — e a investigar a via auditiva quando a audiometria comum não é confiável. Ele não substitui a audiometria comportamental, mas a complementa exatamente onde ela não alcança. É a ferramenta certa para não deixar dúvida sobre a audição de quem não pode responder.
Dúvidas frequentes
O BERA dói ou é invasivo?
Não. Os eletrodos ficam sobre a pele, sem furar nada, e o som é apresentado por fones. É um exame indolor; o cuidado principal é a pessoa ficar quieta, de preferência dormindo.
Se a orelhinha passou, preciso do BERA?
Nem sempre. Mas em bebês com fatores de risco, ou quando há suspeita de que a audição não está bem apesar da triagem, o BERA é indicado para confirmar — porque ele avalia além da cóclea.
Quanto tempo dura?
Costuma durar de alguns minutos a cerca de meia hora, dependendo do caso e de a pessoa se manter dormindo e tranquila durante o registro.
Referências
- StatPearls / NCBI. Auditory Brainstem Response.
- NIDCD / NIH. Your Baby's Hearing Screening and Next Steps.
- Sociedade Brasileira de Pediatria. Triagem Auditiva Neonatal (teste da orelhinha).
Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde.
Otoserrana · Itaipava
Zumbido, perda auditiva, doenças do labirinto, tontura e implante coclear.
Consulta, exames e especialistas no mesmo lugar, na Região Serrana. Agende em poucos cliques — você finaliza pelo WhatsApp com a nossa equipe.
Escrito por
Dr. Denis Melo Rangel
Otorrinolaringologista
Cuidado em otorrinolaringologia com dedicação especial à audição — do diagnóstico preciso ao tratamento, incluindo surdez e cirurgia de implante coclear, para adultos e crianças.
Ver perfil completo →Continue lendo
Ouvido & AudiçãoLabirintite, tontura ou vertigem? O que cada uma quer dizer — e o que fazer
"Doutor, acho que estou com labirintite." Na maioria das vezes, não está. Entenda por que "labirintite" virou apelido de qualquer tontura, qual é a causa mais comum de vertigem, como ela é identificada na consulta e por que o tratamento dela não é remédio — é uma manobra.
· 9 min
Ouvido & AudiçãoQuantas pessoas não ouvem bem na Região Serrana? O que o Censo mostra
O Censo de 2022 contou 38.133 pessoas com alguma dificuldade para ouvir nos 14 municípios da Região Serrana. Pela régua da Organização Mundial da Saúde, que mede em decibel em vez de perguntar, seriam cerca de 160 mil. Entenda por que os dois números estão certos, por que a Serra pesa mais nessa conta e quando vale investigar a audição.
· 9 min
Ouvido & AudiçãoTeste da orelhinha: o que ele mostra — e o que fazer se o resultado falhar
Falhar no teste da orelhinha não é diagnóstico de surdez: a triagem auditiva neonatal existe para separar quem precisa continuar investigando de quem não precisa. Entenda o que a lei garante, quando o exame deve ser feito, o prazo do reteste, a régua 1-3-6 e por que passar na triagem não encerra o acompanhamento da audição.
· 9 min